terça-feira, março 14, 2006

Metro chega a Vila do Conde com muitas obras por fazer

Ângelo Teixeira Marques

Mário Almeida chegou a pedir o adiamento da inauguração do último troço da Linha Vermelha, mas acabou por voltar atrás


O presidente da Câmara de Vila do Conde confidenciou ontem que, "há oito dias", propusera o adiamento da abertura da linha do metro entre Pedras Rubras e a Póvoa de Varzim (o troço que falta para ser completada a Linha Vermelha e que será inaugurado no próximo sábado) face ao atraso na realização de obras de "inserção urbanística", uma expressão que, aliás, o autarca abomina e que entende dever ser substituída por "obras complementares". Esta posição de Mário Almeida só foi alterada depois de, no passado sábado, a comissão executiva da empresa ter concluído uma vistoria aos muitos problemas que estão por resolver. O autarca assegura ter obtido garantias de que serão realizados trabalhos para minorar os "incómodos" que acredita que vão suceder.
Mário Almeida pareceu estar a jogar pelo seguro face a possíveis problemas ou contestações (ainda ontem a Comissão de Utentes da Linha da Póvoa mostrava na sua página da Internet diversas fotografias com cartazes espalhados em Vila do Conde onde se critica o serviço de metropolitano) e não se cansa de dizer que, no conselho de administração da Metro do Porto, defendeu opções diferentes daquelas que foram tomadas por aquele órgão, nomeadamente quanto ao envio para o Governo de todas as adjudicações relativas a obras complementares. Só isto, assevera, atrasou diversas empreitadas. "[Esta semana] deve chegar [à Metro] a indicação do Governo que me dava razão", avançou.

Trânsito complicado junto à EN13 e EN206
Embora tenha utilizado um tom suave, o certo é que, analisando o conteúdo do que Mário Almeida transmitiu ontem, a vida não será fácil para os vila-condenses. A situação mais complicada, admitiu o presidente, deverá suceder na cidade, que passa a contar com cinco estações (Santa Clara, Vila do Conde, Alto de Pega, Portas Fronhas e S. Brás) onde há muitos problemas por resolver. Na Avenida de Bernardino Machado, por exemplo, será construído um parque de estacionamento provisório, mas nem sequer foi lançado o concurso para a construção de uma estrada entre a zona da ponte e a meia-laranja.
Para além do mais, o metro cortou diversas vias e como não foram acauteladas alternativas verifica-se que, nesta altura, o "lugar de Caseiros está isolado" e, como tal, terá de surgir até sábado uma solução provisória. Falta ainda uma ligação da estação de Vila do Conde à EN13 e, talvez um dos casos mais complicados, em Portas-Fronhas, enquanto não for construída uma rotunda, vão cair sete vias sobre o cruzamento da EN13 (Valença-Porto) com a EN206 (Vila do Conde-Famalicão) e a Avenida de D. António Bento Martins Júnior, um dos principais acessos à praia das Caxinas. Tudo porque os trabalhos para criar esse distribuidor de tráfego só devem arrancar depois do Verão.

Concursos para obras fora do concelho esta semana
Nas freguesias fora do concelho, só esta semana, adiantou Mário Almeida, "estão a ser abertos concursos de concepção/construção para empreitadas relativas à variante à Rua da Mota em Aveleda [a partir de Vilar do Pinheiro], ao acesso à antiga Estação de Modivas, à via florestal desde a Gândara Nova até à Estação Espaço Natureza [ em Mindelo] e à alternativa à rua do Corgo, em Azurara".
O presidente da Câmara de Vila do Conde também não conseguiu que fossem aceites as suas sugestões para um tarifário especial para pessoas mais carenciadas ou para os utentes de longas distâncias, como são os casos dos passageiros da Póvoa e de Vila do Conde.
Mário Almeida considera ainda "fundamental" que seja efectuado "um estudo do movimento de pessoas" para apurar se, nas ligações "expresso", se justifica a paragem noutra estação do território de Vila do Conde em vez de uma única paragaem em Pedras Rubras (no concelho da Maia), como vai suceder "por razões de ordem técnica".

BE critica autarcas pela "degradação do serviço"


O núcleo do Bloco de Esquerda (BE) da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde responsabiliza os presidentes das câmaras dos dois concelhos, Macedo Vieira e Mário Almeida, respectivamente, "pela degradação do serviço de transportes na Linha da Póvoa". "Sendo accionistas e administradores, conduziram o processo no sentido de secundarem o transporte e a mobilidade às obras de requalificação urbana dos seus concelhos", criticam os bloquistas. O BE repudia um tarifário com "aumentos brutais", os quais, alega, "são contraproducentes com o objectivo de atrair utentes do automóvel" e "não têm justificação no aumento de qualidade nem no aumento da inflação". Com o objectivo de melhorar o serviço, o BE reclama "a compra de viaturas com maior capacidade e comodidade, os tram-train", e a "a oferta de duas composições rápidas por hora com paragem em Mindelo e Vilar do Pinheiro, substituindo [a paragem] em Pedras Rubras".