segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Reality shows dão lugar à ficção nas televisões mundiais

por Ana machado, Público, 5 de Fevereiro de 2006

Estudo internacional da NOTA-Médiamétrie-IMCA-Eurodata TV, baseado nas preferências
dos nove países com mais peso no mercado televisivo em 2005, elege séries como última moda

Há uma nova moda na programação das televisões a nível mundial. Chama-se ficção. A receita tem de ter os seguintes ingredientes: explorar a realidade e a actualidade, apresentar personagens de que o público-alvo se sinta ou gostasse de se sentir próximo, e em que o público se reveja no quotidiano. Está a lembrar-se já da sua série de ficção preferida? Esta tendência, revelada num estudo feito com base na programação dos nove países com mais peso no mercado mundial de televisão, dita ainda o declínio da receita de sucesso que foram, até há pouco tempo, os reality shows. É o adeus ao Big Brother? Em Portugal os responsáveis das televisões respondem: Ainda não! Mas por cá a ficção também se impõe.
O estudo da NOTA-Médiamétrie-IMCA-Eurodata TV, para França, Espanha, Suécia, Itália, Alemanha, Reino Unido, Holanda, Austrália e Estados Unidos, analisou mais de 500 programas das grelhas de televisão destes líderes mundiais do mercado de TV, durante Setembro e Outubro. Verificou então que a ficção e algum tipo de concursos e programas de entertenimento, estão a tomar os lugares de topo nas audiências, roubando lugar aos líderes de audiência que eram os reality shows.
Entre os nove países, o Reino Unido é quem mais aposta nas novidades nesta área, com 116 novos programas, seguido da França com 68 e EUA com 58 novidades. Entre os preferidos, estão séries sobre extraterrestres, que voltaram a ser alvo de atenção depois de terem abandonado durante muito tempo as audiências, numa febre iniciada pelos Ficheiros Secretos.
Mas o fenómeno de popularidade chamado Donas de Casa Desesperadas, que a SIC já passou, inaugurou uma nova tendência. O público quer mais histórias sobre mulheres comuns, famílias comuns, com problemas comuns. A excepção, segundo o estudo da Médiamétrie, vai para a série histórica Roma, que passa actualmente no Canal 2, mas que é um fenómeno de popularidade em muitos países.
Outro elemento de união, entre as preferências, são os enredos policiais, onde o líder incontestado é a série CSI nas suas várias versões. Mas géneros como os documentários estão também a voltar a ser acarinhados em vários países.
Em Portugal o reality show, ou o mais popular formato deste tipo de programas, que acabou por ser o Big Brother, foi para o ar há mais de cinco anos. No seu lançamento, aquele que é considerado o pioneiro deste género entre nós, registava mais de 40 por cento de share de audiência, o que significava mais de um milhão de espectadores fiéis. Mas, passados cinco anos, os modelos de reality show baseados no Big Brother e no voyeurismo do quotidiano de um conjunto de indivíduos, fechados numa casa, continua a ser apreciado. A Primeira Companhia, que a TVI exibiu até Dezembro passado, não andou muito longe da audiência dos primórdios do Big Brother em Portugal.
Os responsáveis das televisões nacionais recusam ditar o declínio do reality show. Mas reconhecem que já não é o pilar da programação de nenhuma cadeia. A prova é que um estudo da Media Monitor, uma empresa do grupo Marktest, verificou que as televisões nacionais emitiram uma média de cinco horas e 46 minutos diários de programas de ficção ao longo de 2005, o que equivale a 24,1 por cento da emissão televisiva. Esta categoria de programas foi a que revelou melhor relação entre oferta e procura, pois do total de horas visionadas de emissão, 32 por cento foi dedicada a ficção.