quinta-feira, fevereiro 09, 2006

PSD pede exame mental a socialista

Maioria reage a acusação de deputado do PS Oposição abandonou trabalhos em protesto

por adelino meireles, in JN 9 de Fevereiro

Assembleia Legislativa da Madeira aprovou avaliação de faculdades mentais de um deputado


Os deputados do PSD Madeira pediram, ontem, no Parlamento Regional uma "avaliação às faculdades mentais" do socialista João Carlos Gouveia". O "pedido", aceite pelo presidente da Mesa da Assembleia Legislativa Regional, foi a forma que os social-democratas encontraram para reagir às declarações do parlamentar do PS que, um dia antes, tinha afirmado que "a força do regime autonómico está na corrupção"e que tal situação se deve à "inacção do poder judicial".

João Carlos Gouveia, tinha afirmado que o poder regional tem usufruído do "beneplácito e complacência dos órgãos de soberania", e da "cobardia de alguns magistrados do Ministério Público", situações que fazem da região "um verdadeiro paraíso criminal".

Estas afirmações, consideradas "graves", motivaram, ontem, o requerimento do PSD - defendido pelo vice-presidente da bancada Coito Pita - onde podia ler-se que as palavras do deputado do PS "indiciam demência, tal o absurdo e o insulto que revestem". O requerimento foi aprovado apenas pelos social-democratas, uma vez que os restantes partidos, em protesto, saíram do hemiciclo na hora da votação.

Em conferências de Imprensa, os partidos da oposição condenaram o requerimento do PSD e censuraram a atitude do presidente da Assembleia, Miguel Mendonça, por ter aceite o pedido social-democrata.

Após a saída dos parlamentares em solidariedade com o deputados socialista, a Assembleia Regional viveu mais um momento único em pouco mais de dez minutos os deputados do PSD "despacharam" a agenda de trabalhos constituída por 19 pontos, aprovando os diplomas social-democratas e chumbando as propostas da oposição.

João Carlos Gouveia não assistiu a este "filme" parlamentar, bem como Jaime Ramos o líder parlamentar do PSD. O deputado do PS esteve tratar da sua defesa num processo judicial movido por Alberto João Jardim, já que o julgamento se inicia na próxima semana.

O deputado comentou toda esta situação com alguma ironia referindo que "quem afronta o regime repressivo é apelidado logo de louco" e lamenta a atitude dos deputados do PSD acusando-os de cometerem uma "barbaridade política".