segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Junta de Mindelo diz que apoiará protestos contra o metro

Público, 11 de Fevereiro de 2006

O presidente da Junta de Freguesia de Mindelo, Pereira Cardoso, confirmou ontem ao PÚBLICO que, na sua terra, "fala-se cada vez mais da possibilidade de a população interromper a passagem do metropolitano de superfície quando ocorrer a inauguração do prolongamento da Linha Vermelha Pedras Rubras-Póvoa", como forma de protesto pela falta de ligação à estação Espaço Natureza, "nas traseiras da Infineon". "A junta estará na primeira linha do protesto", assegurou ao PÚBLICO o autarca, agastado com a indiferença com que diz ter sido tratado pela empresa Metro do Porto e pela Câmara de Vila do Conde.
"Está no horizonte um problema gravíssimo de segurança", avançou. O autarca explica que o parque de estacionamento da estação de Mindelo (a principal) fica a poente da passagem de nível, o que poderá provocar engarrafamentos nessa travessia, pelo arrastamento de carros de quem entra na freguesia e tem de esperar para virar à esquerda para o local de estacionamento. Nessa passagem de nível, "já foram feitas contagens e verificou-se que, de manhã, na hora de ponta, passam carros de cinco em cinco segundos e, de tarde, esse dado passa para 4,6 segundos", disse.
Pereira Cardoso lembra que está prevista a construção de uma estrada entre a zona Norte da freguesia (atravessando o espaço da Reserva Ornitológica de Mindelo - ROM) até à estação Espaço Natureza, mas diz não ter sido informado de nada pela Metro ou pela Câmara de Vila do Conde. "Como a paciência tem limites, enviei o protesto também à Secretaria de Estado dos Transportes", disse.
O presidente da Câmara de Vila do Conde, Mário de Almeida, também administrador da Metro do Porto, diz que a empresa está "interessadíssima em que se faça a ligação entre a Espaço Natureza e o lugar da Gândara Nova", para que a estação tenha um bom acesso. Sucede que parte dessa via passará pela ROM e, por isso, a câmara, a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto e diversas entidades que fazem parte de um grupo de trabalho que estuda a reclassificação da ROM entendem que deveria ser construída uma "via florestal", sem possibilidade de construção nas margens ou paragem de veículos. A Empresa do Metro aceitou fazer essa ligação e contactou o Instituto de Conservação da Natureza (ICN), que "emitiu um parecer negativo". "A solução está em voltar a insistir junto do ICN, envolvendo também o Governo", explica Almeida. Ângelo Teixeira Marques