segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Governo promete dinheiro para recuperar cineteatro de Vila do Conde

por Ângelo Teixeira Marques, in Publico, 5 de Fevereiro de 2006

Sala de espectáculos está fechada desde os anos oitenta. Autarquia admite começar as obras no Verão

O secretário de Estado da Cultura asseverou numa visita a Vila do Conde que a recuperação do cineteatro Neiva vai ser financiada, em 50 por cento, por verbas do Programa Operacional da Cultura (POC), o que levou o autarca local, Mário Almeida, a adiantar que "no próximo Verão" já possam arrancar as obras.
O governante, Mário Vieira de Carvalho, que visitou anteontem diversos espaços locais, não se quis comprometer quanto a prazos, mas adiantou que todo o processo está na fase de se avançar com os projectos. Ora, projecto para recuperação do imóvel já existe há mais de três anos e Mário Almeida disse que iria contactar as empresas que em 2002 se mostraram disponíveis a fazer os trabalhos para saber se continuavam interessadas, de forma a que a obra seja adjudicada o mais rapidamente possível. O prédio, situado no centro da cidade, está decrépito, pelo abandono a que foi votado desde o final da década de oitenta.
Com a garantia do secretário de Estado de que a obra será comparticipada pelo Programa Operacional da Cultura, a câmara poderá contornar as restrições impostas pelo Ministério das Finanças às autarquias e ir à banca pedir a sua quota-parte dos custos da obra, avaliados em cinco milhões de euros. Mário Almeida disse porém que, antes de partir para essa solução bancária, vai tentar que a recuperação do cineteatro seja incluído no plano de investimentos do Instituto do Turismo, que é pago com verbas da zona de jogo.
A falta do cineteatro tem sido reclamada pela autarquia de um concelho onde existem sediadas companhias de teatro e dança, onde se realiza um dos mais importantes festivais de cinema, o de curtas-metragens, e outras actividades culturais que obrigatoriamente têm de se servir do auditório municipal. Neste, o tamanho do palco não permite a realização de médias produções.
Mário Vieira de Carvalho acrescentou que o Cineteatro Neiva, com capacidade para 600 pessoas, vai integrar a rede nacional de teatros, o que, há alguns anos, suscitou polémica quando o então ministro da Cultura colocou o imóvel de Vila do Conde na lista de investimentos a realizar nas capitais de distrito. Por exemplo, o concelho vizinho da Póvoa de Varzim foi um dos que então protestaram, já que, ao contrário de Vila do Conde, dispunha do projecto e da propriedade do Cineteatro Garrett, mas também não tinha dinheiro para o recuperar. Cansada de esperar, a autarquia poveira está a proceder a obras mais comedidas do que aquelas que eram ansiadas.