sexta-feira, janeiro 13, 2006

retail-park e cinemas são a etapa seguinte

Ambientalistas contestam alargamento do complexo Nassica em Vila do Conde

Ângelo Teixeira Marques, in Publico, 13 de Janeiro de 2006

Consulta pública do Estudo do Impacte Ambiental termina hoje. Associação diz que terrenos estão em Reserva Agrícola

A Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente (AAMDA) vai apresentar hoje, no dia derradeiro do prazo, um parecer negativo ao Estudo de Impacte Ambiental (EIA) sobre o alargamento do complexo comercial Nassica, situado em Modivas, Vila do Conde.
O equipamento, nesta altura, só tem em funcionamento um outlet, mas, tal como tem promovido a empresa proprietária (a espanhola Neinver), o complexo vai integrar mais "um retail-park com quinze lojas-âncora especializadas, um complexo de cinemas com 20 salas multiplex e uma zona de restauração com 30 espaços temáticos". Todas estas infra-estruturas, segundo a Neinver, devem ficar concluídas este ano. Para uma terceira fase ficará a criação de "um parque empresarial com escritórios, indústrias limpas e naves logísticas".
A empresa espanhola continua interessada em criar em Vila do Conde o "maior centro de lazer, empresarial e comercial" de Portugal, que contará com uma área de 350 mil metros quadrados (equivalente a 50 campos de futebol) capaz de atrair 3,07 milhões de visitantes por ano.
Em declarações ao PÚBLICO, o presidente da AAMDA, Pedro Macedo, recorda que "grande parte dos terrenos" está incluída na Reserva Agrícola Nacional e que o actual EIA visa "branquear" o contorno das exigências legais. Desde logo, vinca a associação ambientalista, "a primeira fase (44.871 metros quadrados) foi indevidamente inaugurada em Novembro de 2004" sem que o EIA tivesse sido realizado e estando ainda por fazer o "plano de pormenor exigido pelo Plano Director Municipal".
"O EIA agora em consulta apresenta a segunda fase do projecto, apenas respeitante a 164.882 metros quadrados, continuando a ocultar o impacte inevitável para a totalidade do projecto. Praticamente toda a área (anteriormente ocupada por floresta) foi já desmatada e aterrada e, por este facto, o EIA conclui que o impacte na fauna e na flora será reduzido, sem referir os verdadeiros autores deste prévio atentado", refere um comunicado emitido pela associação.
Pedro Macedo ficou agastado com o facto de o Estudo de Impacte Ambiental dar o crescimento do Nassica como uma inevitabilidade, uma vez que a primeira fase do projecto está já concretizada, já contempla uma estação do metropolitano ("quando esta só lá está por causa do complexo") e aponta para um volume de tráfego "ridículo, para, por exemplo, o Verão". Sobretudo porque o complexo Nassica fica situado na margem da Estrada Nacional n.º 13 (Porto-Valença) e junto ao nó de Modivas da A28, uma via com muito tráfego.
O dirigente ambientalista acusa a Comissão de Coordenação de Desenvolvimento Regional do Norte e a Câmara Municipal de Vila do Conde de "terem dado cobertura a esta situação", mas Mário Almeida, presidente da autarquia, lembra que esta fase é da responsabilidade do Ministério do Ambiente e exortou quem não estiver de acordo a participar na fase de inquérito público que termina hoje. O autarca já defendeu publicamente, porém, que, à partida, o alargamento da estrutura "parece ter condições para ser viabilizado, já que responde àqueles desafios que foram colocados".