sexta-feira, janeiro 13, 2006

Parte do complexo Nassica ficará em reserva agrícola

Estudo Ambientalistas apontam críticas à obra do megacomplexo de comércio e lazer Presidente da Câmara afirma que problema não se coloca no imediato e que solução será fácil

Outlet Factory já está em funcionamento desde Novembro de 2004. Estudo de impacto ambiental do projecto global só foi feito agora


Hugo Silva, in JN 13 de janeiro de 2006

Ooutlet Factory abriu portas há mais de um ano (em Novembro de 2004), mas só agora está em discussão pública o estudo de impacto ambiental para a construção do complexo Nassica, em Vila do Conde, no qual se integra aquele empreendimento. Um documento no qual se explicita que parte da empreitada será executada em área de reserva agrícola nacional. "No entanto, a prática agrícola foi abandonada, não sendo esta a actual ocupação dada ao solo", salvaguarda o mesmo estudo.

"O estudo de impacto ambiental devia ser feito desde o início. E, pela leitura que se faz do documento, ainda não é desta que se aborda todo o projecto. O estudo incide apenas sobre cerca de metade da área que o Nassica irá ocupar [350 mil metros quadrados], conforme foi anunciado", critica Pedro Macedo, da Associação dos Amigos do Mindelo para a Defesa do Ambiente, única associação não governamental do género em Vila do Conde.

"O estudo de impacto ambiental foi uma imposição da autarquia", observou, por sua vez, Mário de Almeida, presidente da Câmara de Vila do Conde. Apesar do estudo de impacto ambiental referir esse facto, o autarca sublinha que o outlet já em funcionamento e as construções que o empreendedor pretende agora construir ainda não abarcam essa área de reserva agrícola. Só no futuro será necessário intervir na zona protegida.

Desafectação

Mário Almeida recorda que, nessa altura, basta pedir a desafectação dos terrenos à Comissão de Reserva Agrícola, como aconteceu para aimplantação da unidade vizinha, a Lactogal. O autarca acrescenta que o outlet está implantado em área urbanizável e que, nesse sentido, os promotores tinha o direito de avançar com o projecto.

Uma obra que, segundo Pedro Macedo, já causou danos ambientais e patrimoniais. "O estudo diz que os a fauna e a flora daquela área não são significativas, porque está tudo desmatado. Mas foi o próprio empreendor que já desmatou, removeu terras e atulhou a área", recriminou.

"Dois marcos do mosteiro de Vairão, elementos arqueológicos, também desapareceram", acrescentou Pedro Macedo.

O ambientalista sublinhou, ainda, que a associação apresentará uma série de sugestões para minimizar os impactos do projecto e que só depois de analisar qual o procedimento do empreendor face às propostas, serão ponderadas outras eventuais medidas, como o recurso aos tribunais.

Mário Almeida desvaloriza a polémica e recorda que à Câmara não chegaram protestos. Sublinha, ainda, que a autarquia foi sempre exigindo à Neinver (empresa responsável pelo Nassica) melhoramentos ao projecto, nomeadamente no que diz respeito a acessos rodoviários e saneamento básico.

Pormenores do estudo

Área do projecto

O estudo de impacto ambiental diz respeito à amplicação da actual zona comercial ocupada pelo outlet Factory. O promotor é a empresa espanhola Neinver.

Outlet

Parte do outlet está feito (16 mil metros quadrados). O edifício vai ser duplicado.

Espaço Nassica

Trata-se de uma zona destinada a locais de restauração e lazer terá um hipermercado (15 mil m2), 20 salas de cinema (10 mil m2), restaurantes (cinco mil m2) e uma área de lazer (12 mil m2).

Retail park

Trata-se de um conjunto de unidades de grandes dimensões onde se vendem a retalho artigos de decoração, mobiliário, electrodomésticos, informática, bricolage, entre outros. Área 25 mil m2.

Stand alone

Será uma grande unidade comercial, ligada a uma marca. Chegou a ser equacionada a hipótese da Ikea, que acabou por optar pelo concelho de Matosinhos.

Estacionamento

Com uma área de 141 mil metros quadrados, os parques de estacionamento associados ao empreendimento terão uma capacidade para 4781 carros.

Emprego

O complexo Nassica deverá criar cerca de cinco mil postos de trabalho.

Vozes

Pedro Macedo

Ass. Amigos de Mindelo

Há muitos alunos da escola D. Pedro IV que se dirigem para o Factory e que têm de ir por uma estrada perigosa, porque não há um único acesso pedonal. Esse acesso é uma das nossas propostas".

Mário Almeida

Pres. Câmara Vila do Conde

No decurso deste processo ainda vamos reunir mais vezes com a Comissão de Coordenação da Região Norte e o Instituto do Ambiente. A Câmara tem outras propostas para melhorar os projectos".