terça-feira, dezembro 20, 2005

Confecções Corgo fecham e deixam 120 sem emprego

JN, 17 de Dezembro de 2005

Confecções Corgo fecham e deixam 120 sem emprego

desfecho Decisão foi tomada por todas as trabalhadoras cooperantes da unidade que laborava há 40 anos em Azurara Tribunal da Relação decide pedido de insolvência
alfredo cunha
É o fim do ciclo para as Confecções Corgo. Trabalhadoras não conseguiram suportar as dívidas herdadas da anterior direcção


A meio da tarde de ontem, na cooperativa de confecções Corgo, em Vila do Conde, foi anunciado o encerramento definitivo da empresa, que laborava na freguesia de Azurara há mais de 40 anos. A decisão foi tomada durante a assembleia geral, por todas as trabalhadoras cooperantes. O fecho da fábrica vai arrastar 120 operárias para o desemprego.

"É lamentável. Tudo porque a anterior direcção deixou acumular dívidas ao fisco e à segurança social", desabafou Fernanda Vieira, uma das trabalhadoras que desde Julho assumia a direcção da cooperativa, após a saída da direcção anterior, que esteve à frente da fábrica durante 22 anos.

"Sabíamos das dificuldades, mas tudo fizemos para viabilizar a empresa, só que não tivemos apoios de ninguém e as dívidas herdadas da anterior direcção são muito elevadas", lamentou.

Dívidas ao Estado

Fernanda conta que um mês depois de terem assumido o cargo as finanças penhoraram a carrinha da fábrica. "Pedimos a insolvência ao Tribunal de Comércio de Gaia, que não aceitou o pedido. Até na Segurança Social nos disseram que o Governo prefere as empresas fechadas".

A Corgo tem um passivo de um milhão e 250 mil euros à Segurança Social e de cerca de 60 mil euros ao Estado, para além do atraso no pagamento dos salários de Outubro e Novembro, dos subsídios de férias e de Natal.

O advogado da empresa, Gil Remédios, explicou que, durante os três últimos anos de gerência da direcção anterior, houve suspeitas de enriquecimento ilícito, pela apresentação de facturas de compra de bens pessoais com dinheiros da Corgo.

A última direcção apresentou uma queixa-crime contra a anterior, liderada por Olívia Loureiro, "que deveria ter solicitado a insolvência, por se encontrar com um passivo superior ao activo, o que não aconteceu, demonstrando uma atitude negligente ou de ocultação", considerou o advogado.

"A acção visa a obtenção de uma indemnização por todos os prejuízos de dívidas causadas e decorrentes da má gestão, pelo que o tribunal já decretou o arresto dos bens a Olívia Loureiro".

A principal dificuldade prende-se agora com o facto de não se saber como esta última direcção vai assegurar a liquidação da empresa, por forma a saldar os débitos. Daí o pedido de recurso da insolvência ao Tribunal da Relação do Porto. Se for viabilizado, garante o direito ao Fundo de Garantia Salarial e a nomeação de um liquidatário judicial, para assegurar a venda da Corgo.