quarta-feira, outubro 12, 2005

Parque de lazer e desporto nasce no porto de pesca da Póvoa

Iniciativa da Câmara de vila do conde
Parque de lazer e desporto nasce no porto de pesca da Póvoa
por Ângelo Teixeira Marques, Público, 8 de Outubro de 2005

A câmara vila-condense avançou com o projecto, depois da desistência de construir uma ETAR no local, transferida para a margem do Ave

A Câmara de Vila do Conde quer construir um parque desportivo e de de lazer no interior do porto de pesca da Póvoa de Varzim (assim designado, mas parte da sua área integra território do município vila-condense). O presidente da autarquia local, Mário de Almeida, garante que já tem a autorização do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos (entidade gestora do porto) para avançar com a execução do projecto e do lançamento do concurso de obra.
A edilidade já possui uma "memória descritiva e justificativa" da intervenção a efectuar no local e, pela consulta desse documento, fica-se a saber que o complexo, "com uma área de quatro hectares", terá um recinto de futebol de onze (em relvado sintético com "um conjunto de quatro balneários e estruturas de apoio, tais como bancadas, portaria e vedações"), "um campo de futebol e andebol de praia, com piso em areia, e um campo de jogos polivalente". "Será ainda criado um anfiteatro, montado no talude que absorve o desnível entre a avenida [do Infante D. Henrique] e a cota de implantação dos equipamentos [praticamente ao nível do mar]", um parque infantil e um espaço para actividades "radicais". Haverá ainda espaços para jogos de cartas, da péla (espécie de bowling, mas com um banco deitado a fazer o papel dos pinos) e áreas verdes.

Custo da obra não é
muito elevado
Mário de Almeida desconhece o custo exacto da obra, mas admite que "não seja muito elevada" em comparação com o aproveitamento de um espaço que nesta altura está degradado e que destoa da remodelação feita na marginal - mediante um projecto do arquitecto Alcino Soutinho - no âmbito do programa Polis. O estaleiro de construção de embarcações de pesca em madeira será "transferido um pouco mais para poente" da zona que receberá o complexo de desporto e lazer, ou seja, ficará praticamente encostado à marina gerida pelo Clube Naval Povoense.

Um parque em vez
de uma ETAR
A ideia de avançar com a remodelação daquela parte do interior do porto de pesca só pôde ir avante porque as câmaras municipais da Póvoa de Varzim e de Vila do Conde desistiram de construir nesse espaço uma estação de tratamento de águas residuais (ETAR) que sirva os dois concelhos.
A empresa Águas do Ave, que vai fazer a candidatura do projecto de saneamento "em alta" a fundos comunitários, já adiantou que, por razões técnicas e de custos, a ETAR ficará na margem do rio Ave. Assim, a edilidade vila-condense poderá recuperar parte do interior do porto, que, nos últimos anos, tem recebido diversas infra-estruturas ligadas a diversas actividades dissociadas da razão que esteve na sua origem - a pesca. A esta situação não será alheio o facto de o sector pesqueiro estar a atravessar uma crise de venda de peixe - segundo os dados da Docapesca, nos primeiros quatro meses deste ano a actividade portuária diminuiu 13 por cento em relação ao mesmo período do ano passado - e do êxodo de muitos membros da comunidade piscatória poveira.
No interior do porto de pesca, já existem dois parques de estacionamento, um auditório, restaurantes, bares, uma lota, um posto do Instituto de Socorros a Náufragos, zonas de lazer, de desporto e de actividades radicais construídas pela autarquia da Póvoa de Varzim.
Agora, chegou a vez da de Vila do Conde fazer o mesmo no lado sul da bacia portuária, onde existem uma marina (paga pela Câmara da Póvoa), uma escola profissional de pesca (estatal) e um estaleiro naval privado.