terça-feira, setembro 13, 2005

Continua a faltar água e rede de saneamento

Vila do conde Concelho desenvolveu-se ao longo dos anos, mas subsistem carências em várias localidades


Há vozes críticas contra o excessivo investimento no centro, em detrimento das freguesias interiores

Hugo Silva, in JN 13 de Setembro de 2005

"Ainda há locais no concelho sem água. Crianças que chegam à escola sem se poderem lavar convenientemente. Parte do concelho continua sem abastecimento de água e sem saneamento". As palavras de Arlindo Maia, provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila do Conde, denunciam um dos principais problemas que continuam a afectar o município. Nada que a Câmara não saiba num estudo encomendado pela própria autarquia, 27,9% dos munícipes colocaram o abastecimento de água e o saneamento no topo das preocupações, apontando como "muito negativa" a actuação do Executivo nesta matéria.
A ausência de água canalizada e a deficiente cobertura da rede de saneamento continuam a marcar a vida de um concelho que se divide em 30 freguesias. No extremo norte da Área Metropolitana do Porto, Vila do Conde vive "geminado" com o município vizinho da Póvoa de Varzim, com o qual mantém uma histórica rivalidade. Apesar disso, os municípios concordaram na construção de um hospital único para servir os dois concelhos. Um equipamento reclamado há muito, mas que continua na gaveta do Governo.
Com um território de 149 km 2 (mais de três vezes a área do Porto), Vila do Conde abrange freguesias marcadamente urbanas - na zona litoral - e outras profundamente rurais - mais no interior. É nestas localidades que se concentram mais carências, que muitas vezes originam críticas quanto à excessiva aposta no centro da cidade, em detrimento da periferia.

Carências sociais
"Vila do Conde tem muitas dificuldades e muitas carências e, no campo social, há necessidade de outro tipo de respostas para as pessoas. Muitas dessas respostas nem exigem que se gaste dinheiro", acrescenta Arlindo Maia, referindo que "continua a haver muita gente excluída". Se há ajudas em matéria de alimentação, é preciso encontrar soluções de alojamento e mais atenção no apoio aos idosos e às crianças.
"Precisamos, talvez, de um parque polivalente no centro da cidade, onde se possa praticar desporto. E de mais espaços verdes", sustenta, por sua vez, António Pontes, da Associações de Armadores de Pesca do Norte. A voz de quem nasceu, foi criado e vive nas Caxinas, uma das zona piscatórias mais emblemáticas do país.
"Ainda me lembro do tempo em que não havia estradas nenhumas. Isto eram só campos", recorda o pescador, considerando que a terra "tem progredido". Afirma que só a "crítica de cegueira" levará alguém a negar o avanço de Vila do Conde.
Ainda que alerte para a necessidade de implantação de quartos de banho públicos na zona piscatória, António Pontes considera que o actual presidente da Câmara, Mário Almeida, até tem "apoiado a pesca em tudo o que é necessário". "Nesse ponto, a classe piscatória está bem servida", sublinha.

Comércio e indústria
"Os problemas do nosso comércio e da nossa indústria têm mais a ver com a crise que afecta a economia do país do que com a Câmara Municipal", analisa Joaquim Brites, líder da Associação Comercial e Industrial de Vila do Conde.
Ainda assim, o responsável acredita que as duas empreitadas de vulto em curso no concelho - Programa Polis e metro do Porto - vão "dar uma volta enorme" a Vila do Conde.
O Polis transformará toda zona litoral, o metro assegurará uma ligação eficaz com o centro da Área Metropolitana. Até porque os transportes e os deficientes acessos ao município são outras das preocupações espelhadas pelos munícipes, no estudo encomendado pela autarquia e divulgado durante o ano passado.
Os maus caminhos e estradas, o desemprego e a poluição do rio Ave eram outras das preocupações apresentadas no documento elaborado pela empresa Desenvolvimento Organizacional, Marketing e Publicidade.

Expectativas
"Os momentos de eleições são sempre de grande expectativa e de esperança", contemporiza Arlindo Maia. O presidente da Misericórdia sublinha, contudo, a necessidade de envolver todas as instituições no esforço de desenvolvimento. "Deve haver diálogo e compreensão. Ninguém, de forma isolada, tem o segredo da resolução dos problemas", observa Arlindo Maia, salvaguardando que a colaboração nunca pode passar pela "interferência política" nas instituições.

Área
149,1 km2

População
74391 (censos 2001)

Densidade populacional
499,2 habitantes por km2

Número de freguesias
30

Área média das freguesias
5 km2

Taxa de analfabetismo
6,2% (censos 2001)

Desemprego
2345 pessoas (censos 2001)

Deslocações
46,6% da população usa o automóvel, 24,3% anda a pé, 10,4% usa moto ou bicicleta (estudo do INE)

Até agora vereador e rosto activo na Oposição, corre em coligaçãoo com o CDS/PP para tentar pôr fim ao reinado socialista

O comunista repete a candidatura nas autárquicas, devendo repetir muitas críticas à gestão de Mário Ameida

Ganhou protagonismo a liderar a Comissão de Utentes da Linha da Póvoa. Objectivo conquistar os primeiros vereadores.

Há mais de duas décadas como presidente da Câmara, é dos autarcas mais antigos do país e avança confiante em mais uma vitória eleitoral.