sexta-feira, julho 15, 2005

Voto contra "bajulação" do "sr. Diogo" aos chineses

por TOLENTINO DE NÓBREGA, Público, 15 de Julho de 2005

Jorge Coelho acusado de "inventar um chorrilho de asneiras, mentiras e aldrabices"

A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou ontem um voto de protesto "pelo descaramento e incongruência" do Sr. Diogo, ministro dos Negócios Estrangeiros, ao apresentar um pedido de desculpas à China, pela declaração feita por Alberto João Jardim contra a presença de chineses na região.
No documento proposto e aprovado pelo PSD, com votos contra de toda a oposição (o CDS ausentou-se deliberadamente do hemiciclo na votação) em desacordo com o conteúdo e linguagem considerada imprópria, a maioria mostra estranheza "não só pela demência de tal medida, bem como pela pessoa que a produz".
Na moção aprovada pelos deputados sociais-democratas, concluise que "o desnorte do PS, nesta materia, chega ao ponto de inventar um chorrilho de asneiras, mentiras e aldrabices, veiculadas pelo seu porta-voz, já apelidado de "Coelhones" ou, mais recentemente, de "Rambo" que só por ignorância, idiotice ou tontice confunde a imigração ilegal com as actividades ilegais de produtos de duvidosa qualidade que se comercializam, clandestinamente, na Europa, no país e na Madeira".
Subscrito pelo líder da bancada social-democrata Jaime Ramos, o voto aprovado pelo parlamento refere uma "série de peripécias" na vida política do "sr. Diogo" Freitas do Amaral que lhe "retiram credibilidade e prestígio e faz denegrir a imagem de ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal".
Freitas do Amaral - que sábado passado foi elogiado "publicamente" pelo conselho regional do PSD, através do comunicado redigido antes de o Expresso noticiar o pedido de desculpas à China, pelo seu trabalho desenvolvido a favor da região, nas negociações do próximo Quadro Comunitário de Apoio - é ainda acusado pelo parlamento madeirense de "cobardia política", "falta de solidariedade" e "atitude de bajulação relativamente aos interesses económicos dos países que exploram a mão-de-obra sem respeito pelos mais elementares direitos internacionalmente aceites e vigentes".
Numa nova versão do discurso proferido em Santana, o PSD acha que o presidente do Governo da Madeira "apenas alertou e denunciou as atrocidades que se cometem, para manter uma economia competitiva, à custa das condições de dignidade dos trabalhadores". Xenofobia e racismo houve sim, segundo o PSD , da parte do PS "em relação à Madeira e ao seu povo".