terça-feira, julho 12, 2005

“Há pessoas em pânico”

Concelhia PS | Mário Maia, ex-presidente da Câmara, apoia a renovação

Por: Rita Senos, Matosinhos Hoje

A luta pela liberdade de pensamento acompanha-o desde os 15 anos. Por isso, assume claramente o apoio a Manuel Seabra na sua recandidatura à presidência da Concelhia do PS. Mário Moreira Maia, o primeiro presidente da Câmara de Matosinhos eleito democraticamente, aposta na renovação, defendendo que não devem existir “dinossauros da política”.
“Desde sempre lutei contra aqueles que se mantinham tempo demasiado no poder. As pessoas devem sair, se não, um dia, serão empurradas. Tenho afirmado isso a Narciso Miranda”, refere Mário Maia. Ainda de acordo com o ex-autarca, o actual presidente da câmara “tinha direito de sair pela porta grande, e com dignidade, pela obra que fez em Matosinhos”. Contudo, como afirma, isso poderá não acontecer. “Ao manter-se numa posição irredutível de querer manter o poder, poderá, efectivamente, ter que sair. O poder cansa, dentro do partido e fora dele”, sublinha.
Apesar de considerar que não é um apologista ferrenho de que fosse um filho da terra a vencer as eleições, Mário Maia confessa que gostava que Manuel Seabra saísse vencedor. “Na altura em que fui presidente da câmara, só havia um vereador natural de Matosinhos. Mas vejo o Manuel Seabra como se fosse um filho que pudesse candidatar-se. Por isso, via com bons olhos que um natural da terra fosse o protagonista da renovação. Espero e desejo que o Manuel Seabra ganhe para haver renovação. A democracia é isso mesmo. Não deve haver os dinossauros da política. Além do mais, quem disse que ele era o seu seguidor foi o próprio Narciso Miranda”, conta.

Oposição atenta

Durante dois anos na Comissão Administrativa e três como presidente da autarquia (de 1977 a 1979), Mário Maia lamenta o estado actual da política. “Desejava que a política fosse algo sério e uma ciência de governar os pobres. Contudo, não temos tido a sorte de ter bons políticos”, adianta. E acrescenta: “Verifico que há pessoas em pânico, com receio da posição em que estão, medo que alguma coisa lhes caia em cima...”. A ameaça da redistribuição de pelouros anunciada por Narciso Miranda é, assim, vista com desagrado. “Penso que foi somente algo que lhe passou pela cabeça. O PS não aceitaria e não acredito que Narciso o faça. Deve ter dito isso num momento de nervosismo. Os seus apoiantes não aceitariam que alguém saísse molestado”, afirma.
A actual situação que se vive no seio do PS em Matosinhos deixa bastante preocupado Mário Maia. “Traz consequências negativas para o concelho e, em especial, para o partido. Ou há uma reposição da situação, ou sofrerá com isso. A oposição está atenta e poderá ter um candidato forte nas próximas eleições”, explica. A melhor solução passaria, segundo o ex-autarca, pelo entendimento, no entanto, esse resultado parece difícil de alcançar. “Agora é impossível. Depois de verificadas as forças, que haja, pelo menos, conciliação e bom-senso”, apela o ex-presidente.
Para o apoiante de Manuel Seabra, não há dúvida quanto à candidatura adversária. “Se não tivesse perdido a distrital, não poderia candidatar-se. Por isso, é óbvio que foi porque perdeu e também por se sentir ligeiramente ferido por não lhe ter sido comunicada a recandidatura de Manuel Seabra”, salienta. Ser natural de Matosinhos, mais novo, ter mostrado trabalho e aproveitando o facto do poder por tempo indeterminado cansar, Manuel Seabra, de acordo com Mário Maia, “reúne todas as condições para vencer”. Convicto na vitória e adivinhando a candidatura do agora vereador do urbanismo às autárquicas, o apoiante deixa alguns conselhos obtidos através da sua própria experiência. “Um presidente de câmara deverá ser mais gestor do que político, pois as pessoas estão sempre à espera que algo se faça para melhorar a vida. Tem que ter transparência na sua actuação. E Narciso Miranda é mais político do que gestor”, conclui.