terça-feira, junho 21, 2005

Porto sem carros ao fim-de-semana

Estudo defende Porto sem carros ao fim-de-semana

Trabalho da Universidade Fernando Pessoa propõe portagens à semana, como alternativa para reduzir dez por cento da poluição provocada pelos automóveis

Um estudo ambiental propõe impedimento de circulação de automóveis aos fins-de-semana no Porto e o pagamento de portagens entre as 7h00 e as 21h00 nos dias úteis em todo o anel interior delimitado pela Via de Cintura Interna.
As propostas constam do estudo Impacte do tráfego rodoviário na qualidade do ar da cidade do Porto, desenvolvido pelo Centro de Modelação e Análise de Sistemas Ambientais da Universidade Fernando Pessoa.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística, reportados a 2002, todos os dias se fazem no Porto 1,16 milhões de viagens, das quais 576 mil ocorrem em automóvel particular e 325 mil nos transportes colectivos pesados de passageiros. Se um em cada dez automobilistas que circula na cidade deixasse o carro na garagem, passando a viajar em autocarros, e estes dobrassem a sua taxa de ocupação, a poluição associada à motorização na cidade seria reduzida em 10 por cento, perspectiva o estudo da Fernando Pessoa, a que a agência Lusa teve acesso.
Num cenário em que metade dos automobilistas portuenses trocasse o carro pelo transporte colectivo, a redução de emissões poluentes atingiria os 36,2 por cento, acrescenta o estudo, coordenado pelo especialista em Ciências Aplicadas ao Ambiente Nélson Barros.
A cidade só pontual e timidamente tem aderido ao Dia Europeu Sem Carros, iniciativa anual comunitária que pretende desmotivar o uso de veículos poluentes em meio urbano. Por outro lado, ontem entraram em vigor limitações à circulação e ao estacionamento na área da Ribeira, enquanto que na sexta-feira a autarquia e a STCP prorrogaram por um ano um acordo relativo ao transporte em miniautocarros nas ruas estreitas da zona histórica.
Os principais poluentes emitidos pelos escapes dos automóveis são o monóxido de carbono (CO), que mata em caso de altas concentrações, o óxido de ozono (NO2), que enfraquece as defesas humanas face a infecções, e o dióxido de enxofre (SO2), gerador de doenças respiratórias e cardiovasculares. Analisando dados registados em 19 estações da Rede de Medição da Qualidade do Ar, entre 1 de Janeiro de 1995 e 31 de Dezembro de 2003, os investigadores da Fernando Pessoa concluíram que as concentrações de CO na área metropolitana do Porto decresceram até 2000, mantendo-se estacionários a partir daí.
No caso do SO2, as concentrações registadas na rede revelam tendência para redução, "encontrando-se abaixo do valor limite de protecção da saúde humana", precisa a equipa de investigadores liderada por Nélson Barros. O mesmo se passa com o NO2, mas, se já vigorasse o valor limite predefinido para 2010, a margem de tolerância teria sido ultrapassada nos anos de 1996, 1998 e 2001, adverte a equipa do Centro de Modelação e Análise de Sistemas Ambientais da Universidade Fernando Pessoa.
Na análise por freguesias urbanas, verifica-se que São Nicolau, na zona histórica, junto aos bares da Ribeira, apresenta o dobro das emissões médias da cidade do Porto. No NO2, as emissões são de 131,9 t/km2 no conjunto urbano e 294,8 t/km2 em São Nicolau/Ribeira. Já no SO2, a média de emissões é de 3,7 t/km2 (cidade) e 8,3 t/km2 (São Nicolau/Ribeira), enquanto os níveis situam-se em 458,8 t/km2 (cidade) e 1.025,3 t/km2 (São Nicolau/Ribeira). Lusa