segunda-feira, maio 30, 2005

Vendas mundiais de jornais subiram 2,1 por cento em 2004

João Manuel Rocha


Número de exemplares vendidos diariamente chegou aos 395 milhões, um crescimento de 4,6 desde 2000. Portugal foi um dos oito países comunitários onde
as vendas cresceram

As vendas de jornais no mundo cresceram 2,1 por cento em 2004 e os lucros com anúncios também subiram, segundo o relatório da Associação Mundial de Jornais (AMJ) sobre tendências da imprensa, que hoje é apresentado em Seul. Ao contrário do que vinha acontecendo em anos anteriores, o crescimento das vendas registou-se não apenas em mercados em desenvolvimento, mas também em mercados maduros.
"Foram uns extraordinários doze meses para a indústria global dos jornais", declarou o director-geral da AMJ, Timothy Balding. "Os jornais estão claramente a renascer através de novos produtos, novos formatos, novos títulos, novas abordagens editoriais, melhor distribuição e melhor marketing", acrescentou, numa análise aos dados do relatório que vai servir aos debates da associação, que ontem iniciou o seu congresso anual, na capital sul-coreana.
O crescimento de 2,1 por cento colocou o número global de exemplares vendidos num novo máximo de 395 milhões de exemplares por dia, o que representa um crescimento de 4,6 por cento desde 2000. Em 1999, o número de vendas diárias estava nos 374 milhões de cópias.
O ano de 2004 foi igualmente positivo em termos de desempenho publicitário, com um crescimento de 5,3 por cento sobre o ano anterior. Tal como os índices de audiência dos sites de jornais na Internet, que subiram 32 por cento, o que fixa em 350 por cento a evolução dos últimos cinco anos.
O relatório da AMJ, publicado anualmente desde 1986, inclui dados relativos a 215 países e territórios onde se publicam jornais. As vendas de diários subiram em 44 por cento e mantiveram-se estáveis em doze por cento. Num terço desses países o crescimento tem vindo a manter-se constante de há cinco anos nos para cá.
Considerando os principais mercados, verifica-se que as vendas aumentaram na China, Índia e Japão e baixaram nos Estados Unidos e na Alemanha. Três quartos dos cem jornais mais vendidos publicam-se na Ásia, tendo a China roubado ao Japão a condição de país com mais títulos nessa tabela.
Na União Europeia (UE) registou-se em 2004 uma quebra de 0,7 por cento nas vendas, perda superior à média dos últimos cinco anos que foi de 0,4 por cento (menos 360 mil cópias/ano). Só em oito dos países comunitários houve um crescimento das vendas, quando comparadas com 2003: a Polónia, com uma evolução positiva de 15,21 por cento, foi o país com melhor desempenho, seguido por Portugal, que, com vendas de 376.098 jornais (dados da Associação Portuguesa de Controlo de Tiragens), conseguiu uma subida de 5,78 por cento. Áustria, Bélgica, Estónia, Finlândia, Itália e Espanha também venderam em 2004 mais jornais do que no ano anterior.
Se se considerarem os cinco anos que vão de 2000 a 2004, no espaço comunitário as vendas só cresceram, por ordem de importância, em quatro países: Polónia, com 43,99 por cento, Irlanda, 29,27, Letónia, 10,56, e Áustria, 2,68.

Recuperação publicitária
Os 5,3 por cento de crescimento dos lucros publicitários em 2004 não impediram que a quota dos jornais no total do mercado de anúncios caísse de 30,5 por cento em 2003 para 30,1 por cento. Ainda assim, os jornais continuam a ser o segundo principal veículo publicitário, atrás da televisão, e, de acordo com as previsões da AMJ, deverão conservar essa posição por muitos anos.
A subida de ganhos dos jornais com publicidade foi de 3,93 por cento nos Estados Unidos, depois de 1,9 por cento no ano anterior e de perdas nos dois anos precedentes. No Japão, o crescimento de 0,01 por cento permitiu o primeiro resultado positivo depois de três anos de declínio. Na UE, a evolução favorável de quatro por cento deixou, ainda assim, os lucros publicitários 16 por cento abaixo do "boom" de 2000.
O rápido crescimento que os jornais gratuitos têm vindo a registar é também assinalado pelo relatório da AMJ, que adianta alguns dados que considera mais significativos sobre essa tendência na Europa: esses títulos são já 40 por cento do total mercado de imprensa em Espanha, 29 por cento em Itália, 27 por cento na Dinamarca e 25 por cento em Portugal.
A alteração do formato é igualmente referida como tendência crescente: no ano passado, 56 jornais trocaram o tamanho grande - ou "broadsheet" - pelo compacto - ou tablóide - e este formato é já o de 36 por cento do total dos jornais do mundo.
A AMJ é uma organização com sede em Paris, que agrega 18 mil jornais de 102 países. O 58º congresso da associação, que ontem começou com uma condenação das mortes e raptos de jornalistas no Iraque - "o país mais perigoso do mundo" para o exercício do jornalismo - reúne este ano mais de 1300 editores de jornais, directores e outros executivos de topo de 81 países. Ao longo de quatro dias, os participantes estão a discutir os problemas da imprensa e à procura de estratégias que assegurem o futuro do sector.
395.000.000
Exemplares vendidos diariamente no mundo,
contra 374 milhões em 1999


14.067.000
Exemplares vendidos diariamente pelo líder
mundial dos diários, o jornal japonês Yomiuri Shimbun
Principais mercados

China: 93,5 milhões
Índia: 78,8 milhões
Japão: 70,4 milhões
EUA: 48, 3 milhões
Alemanha: 22,1 milhões

(exemplares vendidos por dia)

Vendas

Subidas em 2004
4,1 % na Ásia
6,3 % na América do Sul
6,0 % em África

Descidas em 2004
1,4 % no conjunto da Europa
0,7 % na União Europeia
0,2 % no conjunto
da América do Norte
1,0 % nos Estados Unidos
1,0% na Austrália e Oceânia