domingo, maio 22, 2005

Santos Cruz - Entrevista O Comércio do Porto

Santos Cruz: "Temos estudos que nos garantem a vitória em Vila do Conde"

A convicção é de Santos Cruz, candidato do PSD em Vila do Conde, concelho onde se reeditará a coligação com o CDS/PP

MÁRCIA VARA, in CP, 21 de Maio de 2005


Esta noite, Santos Cruz é apresentado, oficialmente, num jantar como candidato pela coligação PSD/CDS-PP de Vila do Conde. Marques Mendes e Ribeiro e Castro, líderes do PSD e do CDS/PP, respectivamente, Marco António e Álvaro Castello-Branco, presidentes das distritais sociais-democratas e democratas-cristãos, respectivamente, assim como outras figuras distritais e locais ligadas aos dois partidos vão estar presentes. Em entrevista ao COMÉRCIO, Santos Cruz, que, pela segunda vez se candidata à presidência da autarquia vila-condense, garante que, desta vez, entrou na corrida autárquica "para ganhar".

- Porque decidiu e o que o motivou a avançar, pela segunda vez, à presidência da Câmara Municipal de Vila do Conde?
- Porque é um projecto com o qual me identifico e também porque acredito que Vila do Conde tem de mudar. Além disso, sinto que as pessoas querem que avance e estou empenhado em fazer o melhor pelo município. Acredito ainda que vamos ganhar a autarquia.

-Porque está tão confiante?
- É uma questão de fé, tenho todas as indicações que vamos ganhar.

- O que lhe dá essa certeza?
- Estudos que temos.

- Que tipo de estudos?
- Estudos que nos garantem isso. Também tenho um grande apoio desde a cidade às freguesias . As pessoas querem mudança em Vila do Conde e com o trabalho que realizamos ao longo dos últimos quatro anos provamos e mostramos que somos ´a´ alternativa.

- As pessoas acreditam na sua pessoa ou querem retirar o poder a um autarca que lidera o executivo há muitos anos?
- As pessoas acreditam em mim, é o que sinto pelos contactos de rua. Ao longo destes quatro anos tenho andado pelas freguesias e, em várias cerimónias, tenho sido alvo de um grande apoio. Por outro lado, há um grande cansaço e desgaste em relação ao engenheiro Mário Almeida. O presidente da Câmara está há demasiado tempo em funções, há cerca de 30 anos.

- Deduzo que seja favorável à limitação de mandatos?
- Lamento apenas que seja necessário limitar os mandatos porque os autarcas deviam ter a noção exacta que há momentos em que têm que passar o testemunho. É evidente que pessoas novas trazem sempre ideias novas. A mudança é sempre positiva e é sabido que os princípios básicos da democracia implicam alternância, o que não está a acontecer em Vila do Conde.

- Não acredita em autarcas que consigam fazer um bom trabalho ao longo de vários anos?
- Sim, mas apenas por um período de 10 a 15 anos, depois cristalizam, surgem interesses que superam determinados valores. E às vezes o problema até é das equipas que os rodeiam.

- Quais são os principais projectos da sua candidatura?
- Além da implementação do saneamento básico, vamos apostar em infra-estruturas de índole social, que incluam apoio aos idosos e também aos mais novos. É preciso dar humanidade à vida em Vila do Conde. É preciso uma política concertada para o desporto: construir campos de relva sintética, pavilhões gimnodesportivos e piscinas. O desporto tem que ser para todos e é necessário definir apoios a clubes e colectividades.

- Há obras que, durante estes anos de governação de direita, a coligação tentou diligenciar junto da administração central. A esquadra da PSP foi uma delas, mas também nunca saiu do papel à semelhança do que tinha acontecido com os Governos PS...
- Há dois anos quando a verba para a construção da esquadra foi retirada do PIDDAC reclamamos e foi logo considerada, mas, a partir daí, houve vicissitudes a nível de Governo, que nós não controlamos, que acabaram por adiar o projecto. Mas sendo presidente de Câmara levarei a cabo esforços para conseguir a esquadra porque quando queremos conseguimos. O que acontece em Vila do Conde é que se fazem promessas, mas é só para aparecer e ser falado. É evidente que não somos poder e, para já, é a Câmara que tem que executar determinadas coisas.

- Acha que o mau resultado das legislativas se vai reflectir nas autárquicas?
- Não. Sei fazer contas e depois de fazer uma análise aos resultados da nossa votação, concluí que foi muito boa. Temos que pensar que o resultado do partido que está na Câmara também desceu. A nível de todo o distrito, o melhor resultado até foi em Vila do Conde. A votação acabou por ser melhor do que se esperava. Ao nível das autárquicas, devo dizer que a minha candidatura abrange todo o tipo de apoios partidários.

- Esteve quatro anos no executivo de maioria socialista. Qual é o balanço que faz? Muitas vezes foi criticado por ter uma imagem muito apagada.
- Isso não é correcto. Os vereadores da oposição não têm qualquer poder de decisão. Votamos, mas há assuntos que nem sequer são discutidos. De uma maneira geral, o relacionamento foi cordial. A maioria dos problemas que vão à reunião de Câmara são pacíficos. Para as grandes questões como o Orçamento dão-nos apenas um ou dois dias para análise de documentos. Perante isto, a nossa luta acaba por se limitar ao exterior.

- A coligação tem sido uma boa aposta? Tem reforçado a força da oposição no município?
- Sim porque são pessoas diversas com ideias diferentes. São duas forças políticas que andaram sempre de candeias às avessas e, neste momento, estão empenhadas num projecto. Sinto que esta candidatura está muito para além da coligação, mas é óbvio que esta potencia sempre mais qualquer coisa.

- Vão apresentar candidatos em todas as juntas de freguesia?
- Sim, nas últimas eleições tivémos dificuldades em duas, mas desta vez está tudo acautelado. A seu tempo vamos anunciar os nomes.

Câmara é máquina de propaganda

- Qual a principal crítica que tece à gestão de Mário Almeida?
- Não é uma, mas várias. É intolerável andar a falar de projectos como de obras se tratasse.

- Por exemplo?
- Tudo, o hospital, o Polis. Às vezes o que se quer fazer não passam de intenções e pelo discurso parece que já está tudo feito. A Câmara tem uma boa máquina de "propaganda" que põe a funcionar coisas que não existem. O que se fala não é tudo obra.

- Que projecto ou ideia é que a coligação levou ao executivo?
- Nós não temos que apresentar projectos, temos que analisar as propostas deles e ver de que forma vão inviabilizar o que pretendemos para Vila do Conde quando formos câmara. Temos ideias que queremos implementar, por exemplo, ao nível da água, da mobilidade no município, apoio social e desporto. Em termos de privatização da água tínhamos agido de forma diferente à da actual câmara porque a água vai ficar demasiado cara. E, nesse aspecto, mesmo que se faça barulho, não se consegue nada. Passamos essas mensagens aos órgãos de informação que, muitas vezes, não pegam nas coisas. E os jornalistas vão mais às coisas da câmara também porque não somos profissionais. Quando for presidente da Câmara tudo será diferente, vamos fincar mais a nossa posição. Mas os órgãos de informação deviam investigar e não serem meros transmissores de comunicados.