sexta-feira, maio 13, 2005

Nova ETAR em Vila Nova de Gaia conclui ciclo de investimentos

por Nuno Corvacho
Público, 15 de Maio de 2005

Equipamento marca o fim de um ciclo de investimentos da câmara em saneamento básico; pretende-se cobrir 90 por cento do concelho este ano

- A ETAR de Lever, orçada em 3,5 milhões de euros e que amanhã será inaugurada, corresponde ao fim do ciclo de investimentos na criação do sistema de saneamento básico do concelho de Gaia; além desta, há ainda as ETAR de Areinho, Gaia Litoral, Febros e Crestuma.

- A Câmara de Gaia investiu em saneamento básico um total de 145,8 milhões de euros (75,5 milhões através de capitais próprios, 51, 3 milhões pelo Fundo de Coesão e 18,8 milhões através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional); a fatia inicial do Pronorte atribuída a Gaia foi inteiramente aplicada em investimentos na área ambiental.

- Há oito anos, existiam 134 quilómetros de rede de saneamento instalados, embora sem tratamento; hoje, existem 1097, com todos os efluentes a serem tratados.

- Foram limpos mais de 130 quilómetros de linhas de água, dos quais 30 correspondem à requalificação de ribeiras em áreas urbanas.
Com a inauguração amanhã da Estação de Tratamento de Águas Residuais (ETAR) de Lever, a Câmara de Gaia dá por concluída a rede de equipamentos de saneamento básico do concelho. Esta estação é a última de um conjunto de cinco que foram entrando em funcionamento nos últimos sete anos de forma a abrangerem os cerca de 300 mil habitantes do concelho.
Ao todo, em Gaia, foram aplicados em saneamento 145,8 milhões de euros, dos quais 134,7 milhões no tempo do actual edil. Da taxa de cobertura de 25,3 por cento existente em 1997 (altura em que Luís Filipe Menezes chegou à Câmara de Gaia) e ainda sem nenhuma ETAR construída, foi-se evoluindo gradualmente até estarem agora 84 por cento dos domicílios ligados ao saneamento básico, o que representa uma clientela de 108 mil pessoas. Nos planos da empresa municipal Águas de Gaia está atingir, até ao final do ano, 90 por cento de cobertura. Como explicou Menezes, "a referência final são os 115 mil munícipes que têm electricidade em casa", devendo a ligação ao saneamento equiparar-se o mais possível a esse valor. Mas dificilmente a cobertura será total, admite o autarca, até porque num dado momento há sempre ligações por fazer devido à constante expansão das construções.
A ETAR de Lever, que amanhã será estreada, é uma das mais pequenas de um sistema a que já pertencem as suas congéneres do Areinho-Oliveira do Douro (a primeira a ser inaugurada, ainda em 1999), Gaia Litoral (a maior, com capacidade, só por si, para servir 300 mil habitantes e estreada há dois anos), Febros e Crestuma. A nova estação receberá uma média de sete mil metros cúbicos de águas residuais por dia, foi concebida para uma clientela potencial de 25 mil habitantes e irá servir as populações das freguesias de Lever e Sandim. Custou 3,5 milhões de euros, o que leva Menezes a declarar ser esta "uma das mais caras ETAR per capita da Europa"; no entanto, esse investimento, na sua opinião, tem toda a justificação dentro do objectivo de criar alguma "solidariedade territorial" e evitar a discriminação das freguesias do interior de Gaia. Em termos técnicos, não haverá grande diferença entre a ETAR de Lever e as outras; também aqui será usado o chamado "tratamento terciário", baseado na microfiltração do efluente e na sua desinfecção por raios ultravioletas e que tem a vantagem de permitir a reutilização das águas residuais pela própria estação.
O balanço do trabalho das quatro ETAR que já funcionam é positivo, na óptica do autarca, podendo dizer-se que qualquer uma delas está já em velocidade de cruzeiro. Além de não ter havido reclamações dos munícipes por causa de avarias ou maus cheiros, Menezes salienta a boa integração ambiental alcançada, com as estações a terem um impacte paisagístico discreto. Por exemplo, a ETAR de Gaia Litoral está situada junto a um parque de campismo e passa praticamente despercebida porque a maior parte da sua estrutura está enterrada.
A estruturação da rede de saneamento permitiu ainda uma intervenção mais consequente na despoluição das ribeiras do concelho. Sobretudo aquelas que vão desaguar à zona balnear (Espírito Santo, Madalena e Valadares) foram alvo de um tratamento especial de requalificação das suas margens com a criação de corredores pedonais de ligação ao passadiço de 17 quilómetros já existente ao longo de toda a orla marítima concelhia, mais precisamente de Lavadores à fronteira com Espinho.