terça-feira, março 08, 2005

Caro Gabriel

Assim à partida, qualquer destes processos de privatização ou concessão dos serviços de águas e saneamento me parece absolutamente escabroso. Já tive aliás a oportunidade de falar sobre isso com o Narciso Miranda (Matosinhos) e com o José Luis Oliveira (Gondomar) ainda antes deste ultimo ter sido preso. Nenhum dos dis me convenceu minimamente, no entanto o argumento é o mesmo, a falta de capacidade de endividamento das respectivas autarquias e portanto a impossibilidade de concluir ou completar ou melhorar ou mesmo manter as redes. A mim cheira-me a balela, já que por norma estes serviços dão lucros às autarquias, mesmo com sistemas de gestão pouco eficazes. Digamos que a unica vantagem, que é teorica, consiste na antecipação dos investimentos necessários. Ainda assim, as proporções são desta ordem; os investimentos necessários custam dez milhões de contos (por exemplo, claro. Não sei de cor os numeros) e os respectivos serviços dão um lucro de um milhão de contos. Assim, seriam precisos dez anos para concluir as tais beneficiações da rede. Como as autarquias perderam a capacidade de endividamento e querem fazer os obras e manutenção num prazo inferior (suponhamos, dois anos), optam pelaconcessão dos serviços que inclui o investimento. Cá para mim já se está a ver o que vai acontecer. É que o investimento, mesmo o urgente vai demorar cinco vezes mais do que o previsto e quando se der por ela os tais dez anos estão passados. Com isto a autarquia fica sem uma fonte de rendimento por quarenta anos que poderia e deveria ser usada na manutenção das redes. é oferecer um negócio de luxo aos privados, que obviamente vão estar sempre muito mais interessados no lucro do que no bom serviço às populações. Não, não estou aqui a ser fundamentalista estatizante, até porque a águas de portugal é publica, pura e simplesmente estas empresas às quais vão ser concessionados os serviços nem sequer tem concorrencia. Só em casos muito extremos é que a autarquia irá optar pela rescisão do contrato e quando isso acontecer, provavelmente já existirá uma enorme promiscuidade nos capitais destas empresas, pelo que no fundo não existe verdadeira concorrencia. Aliás, uma concessão de 40 anos é por conceito, uma instituição à margem do mercado. Basta pensar que o mandato autarquico é de 4 anos. Só se os respectivos administradores andarem adormir é que não garantem uma mina destas.
Fortuna

Dupont