sexta-feira, agosto 20, 2004

A Origem das Espécies-02

UM CICLO PERPÉTUO DE Ascensões e Quedas
Por DAVID VON DREHLE
Público, Domingo, 15 de Agosto de 2004

Mas porque será então que os Estados Unidos não têm imensos pequenos partidos? Quando as duas principais forças mergulham na sua autodestruição periódica, porque será que não dispersam as suas clientelas como se fossem sementes? Porque não são as coisas mais como em Itália? Imagine-se uma América com um partido verde robusto, um partido dos trabalhadores musculado, com o Partido do Direito à Vida representado no Congresso, ao lado do Partido Liberal de Hollywood, do Partido das Celebridades Amantes de Armas e do Partido dos Demagogos (onde os acima citados Limbaugh e Moore poderiam finalmente fazer as pazes, sentados frente a frente a comer um gelado).

Um cientista político poderia explicar isto com uma densa e profunda comunicação mencionando a "teoria da escolha racional e o equilíbrio de Nash", juntando-lhe equações matemáticas multivariáveis. E mostraria como é que o colégio eleitoral e a instituição do Senado se combinam para reforçar o sistema de dois partidos à custa da representação proporcional, etc., etc., etc.

Mas, uma vez que não compreendo estas teorias, prefiro dizer: porque somos americanos. Charles de Gaulle perguntou uma vez por que é que alguém poderia pensar que a França seria capaz de se unir sob um único partido, quando o país tem 200 variedades de queijo. Nos Estados Unidos, as coisas são mais simples. O país deu ao mundo apenas duas variedades de queijo: um em que as fatias estão embaladas individualmente e outro em que as fatias estão juntas.

A escolha simples, entre "isto" ou "aquilo", tem moldado significativamente a política norte-americana. O exemplo mais óbvio é Norte contra Sul. Foi ao longo desta linha que o país travou a sua guerra mais sangrenta, e a questão persiste, de formas importantes. Mas há outras: governo grande contra governo pequeno, impostos altos contra impostos baixos, cidade contra campo, interesses corporativos contra populismo. E outra a que poderia chamar-se "bem-comportado contra atrevido", que na maior parte da história americana teve que ver com uma discussão sobre álcool, mas que nas últimas décadas respeita principalmente a pontos de vista diferentes sobre sexo.

Até há uma questão recorrente, pró-francês contra antifrancês, que se traduz com frequência em internacionalista contra isolacionista. Os hamiltonianos adoravam insinuar que Jefferson era uma emanação dos franceses. Mais de dois séculos depois, o comité nacional republicano faz circular notas à comunicação social observando que John Kerry tem familiares franceses, e o líder dos republicanos na Câmara dos Representantes, Tom DeLay, às vezes começa os seus discursos dizendo: "Boa tarde, ou, como John Kerry poderia dizer, 'bonjour'."

O sistema de dois partidos acabou por revelar-se um instrumento altamente flexível para confrontar estas disputas. Os partidos tentam formar coligações e agendas vitoriosas ao tomarem partido nestes diversos debates perenes, muito à maneira dos capitães de equipa que, no recreio, escolhem os colegas um a um. Os federalistas, por exemplo, escolheram o Norte, um governo grande, impostos altos, a cidade, as empresas, o lado bem-comportado e a posição antifrancesa. E os jeffersonianos alinharam-se do outro lado: Sul, pequeno, baixos, populistas, atrevidos e pró. E o jogo começou assim.

Mas é aqui que as coisas se tornam complicadas. A maior parte das pessoas, e a maior parte das facções, que apoiam um partido não estão com cada um dos elementos da linha partidária. Se tivessem a hipótese, provavelmente escolheriam alguns da coluna A e alguns da coluna B. Mas preferem um partido específico numa altura específica porque, para eles, uma questão específica de agenda significa mais do que todas as outras. À medida que as circunstâncias mudam, outros pontos da agenda aumentam de importância. Argumentos que estavam escondidos surgem de súbito à superfície. O que era menor torna-se importante - e, de repente, em vez de unidade partidária tem-se desintegração partidária. De forma simplificada, caricatural, eis como as coisas se passaram.

Depois do colapso dos federalistas, os jeffersonianos pareciam ter tudo a seu favor. É verdade, não sabiam como se chamar. Primeiro era republicanos, depois republicanos-democratas e, finalmente, com o triunfo ferozmente populista de Jackson, assentaram no simples democratas.

Inicialmente, a coligação em que o partido assentava produziu êxito após êxito. O internacionalismo pró-francês de Jefferson garantiu relações suficientemente amigáveis para que um Napoleão desesperadamente à procura de dinheiro se tenha voltado para os Estados Unidos, quando quis vender a Louisiana. E um governo central fraco estava em sintonia com a natureza anárquica do Oeste - pelo menos da perspectiva caucasiana. Uma nação recém-nascida, mal cosida ao longo da costa do Atlântico, tornou-se, em meio século, uma potência hemisférica com poderes para exercer a sua influência sobre o continente.

O êxito do Partido Democrata atraiu eleitores. Mas, à medida que mais pessoas apoiavam os democratas, diminuía a probabilidade de estarem todas de acordo. A opção jeffersoniana por uma expansão levemente governada mudou a agenda americana, e também o equilíbrio de interesses no partido. Por exemplo: quando pioneiros exploradores das fronteiras conduziram Jackson ao poder e depois entraram em Washington a bater no chão com as botas lamacentas, exigindo a sua recompensa, muitos democratas começaram a ter medo da turba. Abandonaram a coligação democrata e formaram o Partido Whig, assim designado em honra dos antimonárquicos de Inglaterra. Estabelecendo a sua própria coligação, recorreram a alguns restos da política hamiltoniana, promovendo programas governamentais para construir caminhos-de-ferro e canais, tudo financiado por tarifas altamente proteccionistas.

Mais importante, a escravatura tornou-se uma questão que dividiu os democratas. No tempo de Jefferson, o grupo defensor de um governo fraco conseguia coexistir (às vezes dificilmente) com os partidários do Sul, ao considerar o debate sobre a escravatura uma questão dos direitos dos estados. "Esta União pode existir para sempre dividida em estados livres e com escravos, tal como os nossos pais a fizeram", afirmou o democrata do Norte Stephen Douglas, exprimindo este ponto de vista. A expansão para o Oeste, contudo, dividiu esta instável coligação. A questão tornou-se outra: deveria a escravatura ser alargada a outros territórios? Mas uma coisa era os democratas do Norte tolerarem a escravatura onde ela existia há gerações e outra era advogarem a sua expansão. A sua relutância só fez com que os seus partidários do Sul se tornassem mais irredutíveis na sua posição.

O resultado: a eleição de 1860. Os democratas dividiram-se numa facção do Norte e noutra do Sul, cada uma nomeando o seu candidato presidencial. "O Partido Democrata dividiu-se em dois", escreveu recentemente o jornalista Jules Witcover na sua história do partido, "sucumbindo por fim à realidade de que estava dividido entre uma ala sulista que defendia a escravatura e insistia em impô-la a todo o partido, e uma ala nortista que não estava mais disposta a permitir ao Sul que o fizesse." Isto abriu a porta da Casa Branca a Abraham Lincoln, o primeiro Presidente republicano. Mais uma vez, um grande partido tinha-se desmoronado - mesmo a tempo.

Vencedores da corrida eleitoral de 1860, os republicanos de Lincoln só tinham seis anos: formaram-se em 1854 a partir dos "whigs". Também estes tinham caído vítimas do drama crescente da escravatura. "Quando a questão da escravatura se tornou proeminente - explicou o historiador Lewis L. Gould no seu livro sobre os republicanos -, os "whigs" viram-se cada vez mais divididos entre Norte e Sul. A sua plataforma qualificava a escravatura como um assunto perigoso... mas dizia pouco mais."

Os republicanos casaram o hamiltonismo com o abolicionismo e apresentaram uma proposta inteiramente a favor de um governo forte. Acreditavam na união nacional acima dos direitos dos estados. Acreditavam em programas governamentais para organizar e desenvolver a fronteira conquistada. Mesmo enquanto travava uma guerra contra a Confederação rebelde, Lincoln assinou alguma da mais importante legislação sobre infra-estruturas e obras públicas da história americana, toda aprovada pelo Congresso republicano - leis a autorizarem o caminho-de-ferro transcontinental e a concederem o direito de passagem; a encorajaram a colonização das planícies desertas; um programa para educar os colonos em escolas que concediam terras; e mais.

Este novo partido apoiava impostos altos para pagar a sua agenda ambiciosa. O Grand Old Party aprovou o primeiro imposto federal sobre rendimentos, instaurado com carácter temporário para pagar a Guerra Civil. E apoiou taxas elevadas sobre produtos importados. A agenda fazia sentido no contexto da visão de Hamilton dos Estados Unidos como grande potência industrial e financeira. Desde o início, o potencial económico dos EUA era tremendo, mas no primeiro século era um potencial ainda a tomar forma. As empresas norte-americanas precisavam de ajuda e protecção do governo face às economias mais fortes da Grã-Bretanha e da Europa continental. Precisavam de um sistema bancário nacional. Precisavam de uma rede de transportes. Precisavam de tarifas protectoras para impedir os mercados domésticos de serem inundados com bens estrangeiros de baixo custo e alta qualidade.

A princípio, a coligação republicana obteve êxito a seguir a êxito. A União foi preservada, os escravos libertados, os oceanos ligados pela via férrea do progresso. Os Estados Unidos viveram uma explosão de actividade económica sem paralelo com qualquer outra parte do mundo, personificada não só por Rockfeller, Carnegie e Morgan, mas também por Post e Kellogg, Borden e Hershey, Heinz e Campbell, Sears e Woolworth. Tinha nascido a economia de consumo.

Mas tal como a expansão jeffersoniana para o Oeste tinha extremado a questão dos escravos, esta explosão hamiltoniana de desenvolvimento patrocinado pelo governo mudou a agenda americana, e com ela o equilíbrio de interesses no Partido Republicano. Por exemplo, o balanço sangrento da Guerra Civil e o caos da reconstrução reavivaram os sentimentos antigoverno e a favor dos direitos dos estados no Norte, reforçando deste modo os democratas.

Mais importante, as empresas norte-americanas tinham-se tornado um colosso. Eram, aliás, tão poderosas que algumas das mesmas pessoas que tinham apoiado a protecção governamental das empresas agora começavam a acreditar que o governo devia proteger o povo dessas empresas. Uma dessas pessoas, Theodore Roosevelt, tornou-se Presidente em 1901, após o assassinato de William McKinley, e durante os 11 anos seguintes Roosevelt dividiu o Partido Republicano. Continuou a ver um governo robusto como uma força de progresso nacional, alienando assim aqueles que, na coligação republicana, tinham o seu maior compromisso para com as grandes empresas.

Em 1908, após uma presidência em que confrontou grandes interesses económicos, lançou grandes obras públicas e conservou terrenos na posse do governo federal, Roosevelt entregou a Casa Branca ao seu amigo William H. Taft. Mas Theodore Roosevelt sentiu que Taft estava a devolver o partido aos plutocratas, e, após quatro anos de inquieta reforma, regressou, para desafiar Taft, em 1912. Obrigados a escolher entre eles, os republicanos optaram pela via mais conservadora. Nomearam Taft.

"Na sua essência, 1912 introduziu um conflito entre idealismo progressista... e valores conservadores", escreveu James Chace na sua recente história sobre essa eleição. "A amizade desfeita entre Taft e Roosevelt infligiu feridas ao Partido Republicano que nunca foram saradas."

A divisão abriu caminho a que os democratas agarrassem a causa do progressismo. Já era, afinal, hora de os democratas se reinventarem. O ideal jeffersoniano assente no camponês estava a desaparecer por entre a azáfama do futuro urbano e industrial. Por isso o partido encontrou um novo futuro nas cidades, entre o povo trabalhador.

E a grande roda voltou a girar.

Desta vez, não houve um corte violento. Aconteceu aos solavancos. O democrata Woodrow Wilson, eleito em 1912 graças à divisão republicana, não era nenhum Abraham Lincoln - a sua presidência foi uma confusão, tal como era o seu partido. Não foi inteiramente por culpa dele; alguma responsabilidade cabe a William Jennings Bryan, o anterior líder do Partido Democrata, que depositou no populismo as esperanças partidárias. Este movimento, forte em pequenas cidades puritanas, era principalmente a propósito de dinheiro - os populistas queriam mais dinheiro em circulação -, mas atraiu também um grande número de "bem-comportados" para o lado democrata e deixou o partido profundamente dividido quanto à Lei Seca.

Grande parte do problema era, porém, atribuível a Wilson. Embora se apresentasse como progressista, em questões raciais era um homem das cavernas e, politicamente falando, não tinha apelo e era inábil. A liderança desigual de Wilson cedeu a década de 1920 a presidentes republicanos, mas tratava-se afinal de um apogeu falso para os conservadores taftianos. Quando a Grande Depressão chegou, os republicanos foram um desastre, e os democratas recuperaram a supremacia na política americana. Nesta altura, os partidos tinham-se desmoronado e refeito de tal modo que tinham mudado de posições quase completamente.

Os democratas do New Deal de 1932 foram ao grande menu americano das opções e escolheram: governo forte, impostos altos, populismo, atrevimento e "pró-francês". Mas o trauma da depressão foi tão intenso que Franklin Roosevelt foi capaz de arrastar para a mesma coligação eleitores do Norte e do Sul - numa plataforma antigrandes interesses. Através do bálsamo da assistência governamental, foi capaz de manter juntos progressistas e fundamentalistas, numa aliança instável. Franklin Roosevelt deu aos trabalhadores o direito de se sindicalizarem e de terem subsídio de desemprego. Mas também conseguiu manter ao seu lado empresários moderados, dizendo-lhes que os estava a salvar do destino do socialismo, muito pior. Nenhum outro Presidente teve mais ou mais estranhos aliados.

O ciclo político era absolutamente familiar: a princípio, a coligação partidária produziu êxito atrás de êxito. A Depressão chegou ao fim. O fascismo foi derrotado. Leis laborais e de apoio aos combatentes ajudaram a produzir uma classe média robusta. A Segurança Social aliviou o medo de envelhecer. Uma Europa Ocidental devastada pela guerra aceitou a liderança norte-americana para formar a aliança mais próspera do mundo.

Mas esta reforma assente num governo forte mudou a agenda americana, e com ela o equilíbrio de interesses no Partido Democrata. Por exemplo, muitos dos agricultores e operários que tinham apoiado o New Deal como resposta à miséria ficaram chocados, ao verem-se, quando os "bons tempos" regressaram, ao lado de manifestantes, pacifistas, "beatniks", feministas e "hippies".

Mais importante, quando as crises dos anos 30 e 40 ficaram para trás, o país viu-se face a face com a desde há muito incómoda questão da discriminação racial. Sem a Depressão ou a guerra para manter unidos os democratas, já não era possível acomodar juntos segregacionistas e liberais. Em 1948, o jovem presidente da câmara de Minneapolis, Hubert Humphrey, conquistou a convenção democrata e convenceu-a a abraçar as causas dos direitos cívicos. Quando isso aconteceu, um grupo irado de democratas do Sul saltou do partido e, em protesto, nomeou o governador da Carolina do Sul, Strom Thurmond, para concorrer a Presidente.

A total desagregação da coligação do New Deal levou tempo, mas em 1964 Thurmond já tinha abandonado o Partido Democrata e, durante os vinte anos seguintes, milhões de sulistas seguiram-no. A segregação morreu, mas o ressentimento em relação a Washington, D.C., perdurou. Quando nos anos 80 o republicano Ronald Reagan surgiu a pregar que "O governo não é uma solução para o nosso problema, o governo é o problema", conseguiu uma vitória eleitoral esmagadora só comparável à de Franklin Roosevelt em 1936. O Sul transformou-se num bastião do partido de Lincoln.

Ao fim de dois séculos a congregar coligações, a vê-las desintegrar-se, a reunir de novo as pélas, os partidos norte-americanos chegaram aos dias de hoje um pouco tontos. Os republicanos transformaram-se no partido dos impostos baixos e do governo limitado, no partido de Reagan, defendendo uma agenda que é conservadora em termos fiscais e morais - impostos baixos e todos bem- comportados -, mas mais afirmativa internacionalmente do que em muitas ocasiões no passado.

E parece ter funcionado. Em anos recentes, os republicanos têm tido um maior nível de identificação partidária - traduzindo: mais pessoas dizem que são republicanas do que em qualquer outro período das sondagens realizadas pela Gallup; os republicanos estão a par com os democratas. O seu partido controla a Casa Branca e o Congresso e uma maioria das legislaturas estaduais.

É o começo de um longo reinado? Ou está o partido à beira de se tornar demasiado grande? Se se escutarem com atenção os debates internos dos republicanos, é possível distinguir muita tensão entre os bem-comportados, com a sua agenda definidora de uma moralidade, e o segmento dos eleitores partidários de um governo pequeno que quer que os deixem em paz. E mesmo na congregação do "governo pequeno" existe tensão entre os defensores de impostos baixos e os que querem orçamentos equilibrados.

É previsível que os dois partidos continuem a desfazer-se um ao outro numa base regular. Isso é uma evidência de um sistema suficientemente forte para ser relativamente estável, e ao mesmo tempo suficientemente fraco para não causar o tipo de danos catastróficos que temos visto em tiranias à volta do mundo.

Ao contrário de Alexander Hamilton, Thomas Jefferson viveu o suficiente para ver que as lutas partidárias da sua juventude significavam pouco em comparação com os valores que persistem: concórdia, confiança e respeito mútuo. Nos seus anos de reforma, Jefferson renovou a sua amizade com o federalista John Adams. As velhas divisões foram reparadas, com os dois homens a trocarem cartas calorosas e sábias, reflectindo em tudo o que tinha acontecido desde que tinham trabalhado juntos na Declaração de Independência. Numa dessas coincidências incríveis que às vezes acontecem ao argumentista da História, Adams morreu no Massachusetts precisamente 50 anos depois de ter assinado o documento crucial. Foi em 4 de Julho de 1826. Dizem que as suas últimas palavras foram: "Thomas Jefferson vive." O espírito estava certo, embora as palavras estivessem erradas, porque Jefferson tinha morrido nessa mesma manhã na Virgínia.

"Agimos em perfeita harmonia, numa procura longa e árdua da nossa liberdade e independência", escreveu Jefferson a Adams em 1813. "Foi adquirida uma Constituição que, embora nenhum de nós julgue perfeita, ambos consideramos competente para tornar os nossos concidadãos os mais felizes e seguros de todos os aqueles sobre os quais o sol já brilhou. Se não pensamos exactamente o mesmo quanto às suas imperfeições, isso importa pouco ao nosso país que, depois de lhe devotarmos vidas longas e trabalho desinteressado, entregámos em vida aos nossos sucessores, que serão capazes de tomar conta dele, e de si mesmos."

Se não pensamos exactamente da mesma maneira... pouco interessa. Brilhante. Mais uma coisa a favor dos tão denegridos partidos americanos. De tempos a tempos, produzem líderes destes. Não com tanta frequência como gostaríamos, é certo. Mas, até agora, com a frequência certa.

© PÚBLICO/"The Washington Post"